segunda-feira, 11 de outubro de 2010

MINICONTO, POEMAS E INVENCIONICES!

Oi povo colorido,
Pra não perder a prática, posto algumas novidades... Devo ter sido inspirada pelas flores da primavera e pela espontaneidade da criança que me habita. Fazia tempo que eu andava "ensimesmada", então resolvi romper com isso postando logo um conto, duas poesias e  também imagens que criei através de colagens, desenho e etc.
Viva a primavera e feliz dia das crianças!
Rô Arostegui

TRANSMUTAÇÃO

Desce num fundo profundo de verde-limo
De verde cinza
De cinza chumbo

Em sombra escorre para os abismos de si
E mãos vagam lentamente pelo limo da alma
O frio penetra pelos poros
Não há sustentação...

Fêmea picada por Tânatos
Flui abismo abaixo
Enquanto a alma amortece o corpo
E a vida se esvai...

Mas eis que olhos despertam
Fitando o além do abismo
E vislumbram no azul-céu
As doces asas de Eros.

Flecha no coração
Mãos que vibram energia
Vermelha luz de amor
A colorir o escuro da alma...

Como Perséfone resplandece
Perfuma as flores da primavera
E semeia carícias de verão!

Rosane Arostegui

TATUAGENS

Ela pisou num caco de vidro que entranhou em seu pé provocando dor...Ao recolher o caco observou que este tinha formado a letra V; V de Vinícius, ex-namorado. Este homem lhe causara uma dor muito maior do que àquela quando o flagrou transando com sua filha de apenas treze anos.
Subitamente tomou-se de amor por aquele caco de vidro, guardando-o como uma espécie de talismã. Todos os dias mirava o vidro, passava os dedos delicadamente por suas bordas afiadas. O vidro virou um marcador de desgraças!
Uma discussão no trabalho provocava cortes desordenados nos braços; decepções afetivas viravam cortes profundos nas coxas, no púbis e até no rosto. O sangue e a dor eram para ela como uma anestesia da vida que doía mais!
Depois de retalhar o corpo todo em uma severa crise de depressão, conheceu o homem que trouxe a luz para sua vida e mergulhou numa espécie de felicidade apaixonada. Abandonou o caco de vidro numa caixa.
Engravidou. Sentia-se plena de vida!
Um dia enquanto ela brincava com seu rebento, homens armados entraram na casa. Nada fizeram com ela, apenas atiraram no homem e na criança.
Não se sabe por quanto tempo ela permaneceu catatônica até levantar-se como um autômato, apanhar o antigo caco de vidro e cravá-lo na jugular qual dentes de vampiro!

Por Rosane Arostegui


CONFISSÃO

Teu cheiro de maresia
é a heresia que atiça meu desejo.

Rosane Arostegui
Em 11/09/2010

10 comentários:

gracinha disse...

ROSANE!!!!!!!!!!!!!!
lindeza com alma!!!!!
espalhe esta luz vibrante a sua volta nada de escondê-la!
...Melhora o mundo...

.."A esperança é um sonho que caminha..."Aristóteles.

gracinha disse...

ROSANE!
não faça isso com teus fãs...
ESPALHE ESTA CRIATIVIDADE-LUZ E EMBELEZE O MUNDO!
...precisamos dos poetas,dos fotografos,das flores,das palavras e das cores...sempre, aos montes!
este blog...tô virando poeta.....
gracinha.

Fabiana disse...

Uhuuuuuu!
Minha amiga que me dá coceiras!
Queria escrever...assim!
Decorar...assim!
Se bem que ao te ler eu sugo pra dentro de mim!
Te como, Rosane! Te engulo e não sou a mesma!

(Eu e a Adriana Calcanhotto:
Vamos comer Caetano
Vamos desfrutá-lo
Vamos comer Caetano
Vamos começá-lo

Vamos comer Caetano
Vamos devorá-lo
Degluti-lo, mastigá-lo
Vamos lamber a língua

Nós queremos bacalhau
A gente quer sardinha
O homem do pau-brasil
O homem da Paulinha
Pelado por bacantes
Num espetáculo
Banquete-ê-mo-nos
Ordem e orgia
Na super bacanal
Carne e carnaval

Pelo óbvio
Pelo incesto
Vamos comer Caetano
Pela frente
Pelo verso
Vamos comê-lo cru

Vamos comer Caetano
Vamos começá-lo
Vamos comer Caetano
Vamos revelarmo-nus)

Fabiana disse...

Amiga, há dois e-mails teus, este e o da "tatuagem" que não conseguem sair com as devidas pernas da minha caixa de entrada, que atualmente está super limpa, ali possuo quatro e-mails, um sobre uma ação cível, outro com notícias jurídicas que logo vou deletar.
Amor de paixão Clarice...E vejo que ela anda de vento em popa pela rede. Dentro de nós ela está desde sempre, graças a Deus.
Estou com muitas saudades, mas minha vida, meu trabalho e o pai do meu baby, que há de permanecer meu amor na eternidade que as dinâmicas da vida permitem, estão me ocupando todos os prazos.
Bem, a respeito de Clarice já posso ficar falando horas que não tenho mais receio de falar pouco, de ficar faltando algo, de eu não ter esclarecido bem. Já aceitei o quanto me sinto seu espelho, já aceitei, parece, nossas semelhanças e diferenças e o quanto eu não posso ser mais Clarice do que sou Fabiana e o quanto, sendo Fabiana, não sei, não posso ou não quero deixar de ser Clarice.
Agora, quanto a ti, minha amiga...
Já me perdi em êxtase pra explicar o que "criadeira" implode de minhas explosões...
E tenho certeza de que não foi o suficiente.
(Este pps com frases de Clarice, sem sequencia, posso rever muitas vezes, é quase uma diversão, um descanso, uma obviedade altamente preenchedora e doadora de esperança em me deixar ir sendo assim. E sendo assim-assim.
Agora, a respeito de "tatuagem" não me sinto apta o suficiente para expressar o que penso, sinto, ou o que vem antes e mesmo o que veio antes da leitura, desde o momento em que me falaste do mais bendito maldito conto que já li. Quando, finalmente, consegui abri-lo, há algumas semanas atrás - e ele me encarava e eu revirava o sorriso, tentando fingir que não fugia da leitura, mas que a deixava amadurecer, fingindo deixar entrar o texto pelas entrelinhas de tudo que até então eu não tinha lido. Sabe, essa sensação de incompletude perfeita que é saber que há tudo o que ainda não se viveu. E lá estava "tatuagem" - que me permite agora brincar com as palavras sobre tatuamento, tatuação, simbolismo de não tatuar sempre querendo uma tatuagem, de tudo que a gente não faz por insegurança, incerteza, medo e profundo desejo, mitos, arquétipos, complexos. A presença das faltas, a atenção toda voltada para o x do "1-x" e toda a probalidade estatística que cabe dentro dessa fórmula que nada informa. Então, fiquei a encarar a minha fuga e o meu profundo desejo de me deixar tatuar mais uma vez pela tua escrita e ter de reconhecer que és muito melhor do que....tudo. Eu vivo e vivia com medo de ler Clarice, então eu já brinco com isso. Ela me ultrapassa, me leva num túnel de mim que me assusta profundamente porque me põe de frente com minhas magnitudes e escuridão in the same time. E a confirmação de que sou exatamente meio a meio bem e mal, numa medida tão cruel que a cada vez que penso ser boa acabo sendo obrigada a aceitar que, exatamente na mesma medida, eu sou um monstro, vampiresca, tanto dôo quanto sugo sangues...
Bem, e já viu...não posso falar por agora. Eu precisarei meditar algumas vezes e se estivesse no cume de uma montanha me alimentando de folhas verdes e água, vivendo apenas o amor por mim mesma talvez eu pudesse aceitar mais educadamente os eus que se manifestam de mim ao te ler.
Rosane,
ah, Rosane...
rosane.
!Só de olhar pra teu texto, a forma, o tamanho, já me deixou louca. Sabe, tesão.
Li PETRIFICADA.
E é neste momento que ainda me encontro.
Aliás, sei bem que ainda não cheguei no texto.
Eu não quis que me ultrapassasse porque ele está muito à minha frente. É o tempo das coisas cruas. Estou dando passos pra lá. Teu texto corre na minha frente. Sabe, me senti vencida antes de começar a corrida. Eu já tinha água, suor, faixa rebentada, energia consumida e pernas tensas, precisando alongar, relaxar. Eu pude viver o que nunca vivi e o que efetivamente já era vida em mim.

Fabiana disse...

Amiga, há dois e-mails teus, este e o da "tatuagem" que não conseguem sair com as devidas pernas da minha caixa de entrada, que atualmente está super limpa, ali possuo quatro e-mails, um sobre uma ação cível, outro com notícias jurídicas que logo vou deletar.

Fabiana disse...

Sabe, essa sensação de incompletude perfeita que é saber que há tudo o que ainda não se viveu. E lá estava "tatuagem" - que me permite agora brincar com as palavras sobre tatuamento, tatuação, simbolismo de não tatuar sempre querendo uma tatuagem, de tudo que a gente não faz por insegurança, incerteza, medo e profundo desejo, mitos, arquétipos, complexos. A presença das faltas, a atenção toda voltada para o x do "1-x" e toda a probalidade estatística que cabe dentro dessa fórmula que nada informa. Então, fiquei a encarar a minha fuga e o meu profundo desejo de me deixar tatuar mais uma vez pela tua escrita e ter de reconhecer que és muito melhor do que....tudo. Eu vivo e vivia com medo de ler Clarice, então eu já brinco com isso. Ela me ultrapassa, me leva num túnel de mim que me assusta profundamente porque me põe de frente com minhas magnitudes e escuridão in the same time. E a confirmação de que sou exatamente meio a meio bem e mal, numa medida tão cruel que a cada vez que penso ser boa acabo sendo obrigada a aceitar que, exatamente na mesma medida, eu sou um monstro, vampiresca, tanto dôo quanto sugo sangues...
Bem, e já viu...não posso falar por agora. Eu precisarei meditar algumas vezes e se estivesse no cume de uma montanha me alimentando de folhas verdes e água, vivendo apenas o amor por mim mesma talvez eu pudesse aceitar mais educadamente os eus que se manifestam de mim ao te ler.
Rosane,
ah, Rosane...
rosane.
!Só de olhar pra teu texto, a forma, o tamanho, já me deixou louca. Sabe, tesão.
Li PETRIFICADA.
E é neste momento que ainda me encontro.
Aliás, sei bem que ainda não cheguei no texto.
Eu não quis que me ultrapassasse porque ele está muito à minha frente. É o tempo das coisas cruas. Estou dando passos pra lá. Teu texto corre na minha frente. Sabe, me senti vencida antes de começar a corrida. Eu já tinha água, suor, faixa rebentada, energia consumida e pernas tensas, precisando alongar, relaxar. Eu pude viver o que nunca vivi e o que efetivamente já era vida em mim. Essa frase vai ser difícil eu explicar mesmo pra mim. Mas vou tentar. É que os terrores vividos causam buracos nas percepções e a gente não quer sentir. Ao ler teu texto eu fui obrigada, pelo prazer, a sentir o prazer da dor de ser eu mesma. As sensações que eu não aceitava sentir, que eu evitava reconhecer que sinto. Além de tudo, estou mais confortável, o reconhecimento de que não há conforto, obviamente, me deixa mais à vontade, mais leve pra ser eu mesma.
Quero te mandar um beijo daqueles, bem apertado, cheio de obrigados e congratulações.
Amei tatuagem severamente.
Com amor, carinho e profundos desejos de paz

Fabiana

Fabiana disse...

....
Eu não quis que me ultrapassasse porque ele está muito à minha frente. É o tempo das coisas cruas. Estou dando passos pra lá. Teu texto corre na minha frente. Sabe, me senti vencida antes de começar a corrida. Eu já tinha água, suor, faixa rebentada, energia consumida e pernas tensas, precisando alongar, relaxar. Eu pude viver o que nunca vivi e o que efetivamente já era vida em mim. Essa frase vai ser difícil eu explicar mesmo pra mim. Mas vou tentar. É que os terrores vividos causam buracos nas percepções e a gente não quer sentir. Ao ler teu texto eu fui obrigada, pelo prazer, a sentir o prazer da dor de ser eu mesma. As sensações que eu não aceitava sentir, que eu evitava reconhecer que sinto. Além de tudo, estou mais confortável, o reconhecimento de que não há conforto, obviamente, me deixa mais à vontade, mais leve pra ser eu mesma.
Quero te mandar um beijo daqueles, bem apertado, cheio de obrigados e congratulações.
Amei tatuagem severamente.
Com amor, carinho e profundos desejos de paz

Fabiana disse...

ah, essas coisas...escolhi aleatoriamente...
Engulo tuas artes, como, como!
Ah, como eu como...!

"Vamos comer Caetano
Vamos desfrutá-lo
Vamos comer Caetano
Vamos começá-lo

Vamos comer Caetano
Vamos devorá-lo
Degluti-lo, mastigá-lo
Vamos lamber a língua

Nós queremos bacalhau
A gente quer sardinha
O homem do pau-brasil
O homem da Paulinha
Pelado por bacantes
Num espetáculo
Banquete-ê-mo-nos
Ordem e orgia
Na super bacanal
Carne e carnaval

Pelo óbvio
Pelo incesto
Vamos comer Caetano
Pela frente
Pelo verso
Vamos comê-lo cru

Vamos comer Caetano
Vamos começá-lo
Vamos comer Caetano
Vamos revelarmo-nus"

Si Fig disse...

Rosane!
A borboleta saiu do casulo...é PRIMAVERA!
Belas palavras e linda colagem!
Abraço!
Si Fig

jaqueline disse...

Está maravilhoso. Que palavras!
Que fotos!
Bjus.
Jaq.